Osteoartrite de Quadril
É a degeneração progressiva da cartilagem do quadril, causando dor tipicamente na virilha (às vezes irradiando para a coxa, nádega ou joelho), rigidez matinal e perda de amplitude de movimento.
Quão comum é
Uma revisão sistemática com metanálise de 31 estudos (326.463 participantes) estimou prevalência mundial de osteoartrite de quadril de 8,55% (IC 95% de 4,85 a 13,18%), considerando o critério radiográfico de Kellgren-Lawrence grau 2 ou mais. A prevalência variou por região (de 1,20% na África a 12,59% na Europa), aumentou com a idade e não diferiu de forma significativa entre homens (9,42%) e mulheres (7,94%). Os autores ressaltam que são necessários estudos epidemiológicos de melhor qualidade para estimativas mais precisas.
A diretriz da OARSI (Osteoarthritis Research Society International) de 2019 define como tratamentos centrais para a osteoartrite de quadril a educação do paciente e programas estruturados de exercício em solo. A revisão Cochrane atualizada em 2026 (18 estudos, 1.368 participantes; a maioria pequena e sem cegamento) trouxe uma mensagem moderada:
- Comparado a nenhum tratamento, cuidados habituais ou orientação mínima, o exercício provavelmente reduz a dor de forma discreta (cerca de 7 pontos numa escala de 0 a 100; IC 95% de 3,7 a 10,7; certeza moderada) e melhora um pouco a função, mas os autores consideram que essas melhoras provavelmente não são clinicamente significativas.
- Comparado a placebo ou a um controle de atenção, o exercício pode ter pouco ou nenhum efeito sobre a dor (certeza baixa), com melhora discreta da função.
- Somado a outro tratamento, o exercício provavelmente tem pouco ou nenhum efeito adicional sobre dor e função.
Ou seja: o exercício é recomendado por diretriz e parece seguro, mas o benefício sobre a dor, medido nos ensaios, é pequeno.
Fontes: Bannuru RR, et al. Osteoarthritis Cartilage. 2019;27(11):1578-1589 (doi:10.1016/j.joca.2019.06.011) · Hall M, et al. Cochrane Database Syst Rev. 2026;7(7):CD007912 (doi:10.1002/14651858.CD007912.pub3).Outros tratamentos. A diretriz OARSI não recomenda infiltração intra-articular de corticoide na osteoartrite do quadril, não recomenda o uso de opioides (recomendação forte contra) e é condicionalmente contra o paracetamol. Anti-inflamatórios por via oral não são recomendados para quem tem doença cardiovascular ou fragilidade. A escolha de medicamentos deve ser individualizada com o médico.
Quando a dor limitante persiste apesar do tratamento sem cirurgia, a artroplastia total de quadril (prótese) é considerada. Uma revisão publicada no Lancet descreve a cirurgia como um procedimento frequente e de bom resultado para aliviar a dor e melhorar a função na artrose avançada; ela destaca que a decisão deve levar em conta fatores individuais do paciente e que o resultado deve ser acompanhado por medidas relatadas pelo paciente.
Sinais de alerta
- Incapacidade de apoiar o peso na perna
- Dor súbita e muito intensa, fora do padrão habitual
- Febre, calafrios, mal-estar ou perda de peso sem explicação
- Uso prolongado de corticoide (risco de necrose da cabeça do fêmur)
Dor lateral do quadril (síndrome da dor trocantérica maior, ou "bursite")
É a dor na parte lateral do quadril, sobre o osso saliente da coxa (trocanter maior). Uma causa comum é a tendinopatia dos músculos glúteo médio e mínimo; o termo "bursite" isolado nem sempre explica o quadro. Um estudo com 65 pessoas com dor lateral, comparado com ressonância, mostrou que o diagnóstico de tendinopatia glútea pode ser sugerido pelo exame clínico (por exemplo, dor em até 30 segundos apoiado numa só perna), mas é uma amostra pequena.
Quão comum é
Num estudo populacional com 3.026 adultos de 50 a 79 anos, a síndrome da dor trocantérica maior afetou apenas um lado em 15,0% das mulheres e 6,6% dos homens (e os dois lados em 8,5% e 1,9%, respectivamente). O risco das mulheres foi cerca de 3,4 vezes maior (OR 3,37). A condição estava associada a dor lombar, artrose do joelho e sensibilidade da banda iliotibial (faixa de tecido na lateral da coxa); o índice de massa corporal não ficou associado depois do ajuste estatístico. Por ser um estudo de corte transversal, mostra associação, não causa.
No ensaio australiano de Mellor e colaboradores, 204 pessoas de 35 a 70 anos com tendinopatia glútea (confirmada por exame e ressonância) foram sorteadas para educação + exercício (14 sessões em 8 semanas com fisioterapeuta), uma infiltração de corticoide ou observação sem tratamento. Relataram melhora global em 8 semanas 51 de 66 (educação + exercício), 38 de 65 (infiltração) e 20 de 68 (sem tratamento). Em 52 semanas, o resultado foi 51 de 65, 36 de 63 e 31 de 60, respectivamente: a educação com exercício foi melhor que a infiltração em melhora global, e a dor às 52 semanas (média de 2,1 contra 2,3, em escala de 0 a 10) não diferiu entre os dois. Os dois tratamentos tiveram dor menor que a observação sem tratamento. A infiltração de corticoide, portanto, ajudou nos primeiros meses, mas sem vantagem sobre o exercício ao final de 1 ano.
Uma revisão sistemática de 2017 (8 estudos, 696 participantes) encontrou que a infiltração de corticoide foi superior ao treino em casa, à terapia por ondas de choque e aos cuidados habituais em dor por até 3 meses, mas concluiu que há poucos estudos de boa qualidade. Uma metanálise de 2024 (6 ensaios, 733 pacientes) concluiu que o exercício reduz discretamente a dor a longo prazo em comparação com controles e melhora mais a impressão global de melhora que a infiltração; os autores avisam que os resultados se baseiam em poucos ensaios.
Fonte: Mellor R, et al. BMJ. 2018;361:k1662 (doi:10.1136/bmj.k1662) · Barratt PA, et al. Br J Sports Med. 2017;51(2):97-104 (doi:10.1136/bjsports-2015-095858) · Kjeldsen T, et al. Physiotherapy. 2024;123:69-80 (doi:10.1016/j.physio.2024.01.001) · Grimaldi A, et al. Br J Sports Med. 2017;51(6):519-524 (doi:10.1136/bjsports-2016-096175).Sinais de alerta
- Dor noturna progressiva não relacionada à posição — investigar outras causas
- Febre ou sinais de infecção no local
- Trauma recente com dificuldade para andar
- Formigamento ou fraqueza associados — pode ser uma dor lombar disfarçada de dor no quadril
Dor no quadril persistente?
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Referências científicas
- Bannuru RR, Osani MC, Vaysbrot EE, et al. "OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis." Osteoarthritis Cartilage. 2019;27(11):1578-1589. OARSI
- Hall M, Lawford BJ, Hinman RS, et al. "Exercise for osteoarthritis of the hip." Cochrane Database Syst Rev. 2026;7(7):CD007912. Cochrane
- Fan Z, Yan L, Liu H, et al. "The prevalence of hip osteoarthritis: a systematic review and meta-analysis." Arthritis Res Ther. 2023;25(1):51. Arthritis Res Ther
- Ferguson RJ, Palmer AJ, Taylor A, et al. "Hip replacement." Lancet. 2018;392(10158):1662-1671. Lancet
- Segal NA, Felson DT, Torner JC, et al. "Greater trochanteric pain syndrome: epidemiology and associated factors." Arch Phys Med Rehabil. 2007;88(8):988-992. Arch Phys Med Rehabil
- Grimaldi A, Mellor R, Nicolson P, et al. "Utility of clinical tests to diagnose MRI-confirmed gluteal tendinopathy in patients presenting with lateral hip pain." Br J Sports Med. 2017;51(6):519-524. Br J Sports Med
- Mellor R, Bennell K, Grimaldi A, et al. "Education plus exercise versus corticosteroid injection use versus a wait and see approach on global outcome and pain from gluteal tendinopathy: prospective, single blinded, randomised clinical trial." BMJ. 2018;361:k1662. BMJ
- Barratt PA, Brookes N, Newson A. "Conservative treatments for greater trochanteric pain syndrome: a systematic review." Br J Sports Med. 2017;51(2):97-104. Br J Sports Med
- Kjeldsen T, Hvidt KJ, Bohn MB, et al. "Exercise compared to a control condition or other conservative treatment options in patients with greater trochanteric pain syndrome: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials." Physiotherapy. 2024;123:69-80. Physiotherapy
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual.