Ilustração 3D anatômica de fratura do colo do fêmur: vista frontal mostrando pelve, cabeça do fêmur, colo femoral com linha de fratura em vermelho e fêmur proximal
Fratura do colo do fêmur — linha de fratura (vermelho) no colo femoral, uma das emergências ortopédicas mais frequentes em idosos
🚨 Se você está passando por uma destas situações agora, vá ao pronto-socorro ou ligue para o SAMU 192 — não espere terminar de ler.

1. Fratura Exposta

É quando o osso quebrado tem contato com o ambiente externo através de um ferimento na pele — seja um corte próximo ao local, seja o próprio osso visível. O risco principal é a infecção da ferida e do osso.

O que fazer: ir direto à emergência. O tratamento envolve antibiótico, limpeza cirúrgica da ferida e estabilização do osso. Uma revisão Cochrane de 7 estudos (913 participantes) mostrou que o antibiótico reduz a infecção precoce em fraturas expostas dos membros (risco relativo 0,41; IC 95% 0,27 a 0,63; número necessário para tratar de 13).

O que ainda é incerto: o tempo ideal. Uma revisão sistemática de 16 estudos (3.539 fraturas expostas) não encontrou diferença na taxa de infecção entre limpeza cirúrgica precoce e tardia em nenhum dos cortes de tempo estudados, e concluiu que a antiga "regra das seis horas" tem pouco respaldo na literatura. Mesmo assim, os autores ressalvam que adiar o tratamento por escolha não é recomendado. Para o horário do antibiótico, outra revisão (8 estudos observacionais, todos com risco de viés importante) concluiu que não há evidência suficientemente robusta para dizer se o momento da primeira dose muda o risco de infecção profunda. Na prática, a orientação para o paciente continua sendo a mesma: procurar atendimento imediatamente.

Fontes: Gosselin RA, et al. Cochrane Database Syst Rev. 2004;(1):CD003764 · Schenker ML, et al. J Bone Joint Surg Am. 2012;94(12):1057-1064 · Whitehouse MR, et al. Emerg Med J. 2017;34(9):613-620.

2. Luxação

É quando os ossos de uma articulação perdem completamente o contato entre si — mais comum em ombro, cotovelo e quadril. Uma luxação deve ser avaliada em pronto-socorro, onde o tratamento inicial costuma ser a redução (recolocar no lugar), geralmente com analgesia ou sedação.

No quadril, o tempo importa: uma revisão sistemática com meta-análise de luxações traumáticas do quadril em adultos encontrou que a necrose da cabeça do fêmur (falta de circulação no osso) ocorreu em uma proporção que variou de cerca de 9% a 33% nas luxações anteriores e de cerca de 11% a 43% nas posteriores, conforme a gravidade da lesão. A chance de necrose foi 5,6 vezes maior nos quadris reduzidos depois de 12 horas do que nos reduzidos antes de 12 horas. São dados de estudos observacionais em adultos, e não de ensaios, por isso mostram associação, e não provam que o atraso seja a causa.

Sinal de alerta extra: se, além da deformidade, a mão ou o pé ficarem frios, pálidos ou "dormentes", pode haver comprometimento de vasos ou nervos — por bom senso clínico, mais um motivo para não esperar.

Fonte: Kellam P, Ostrum RF. J Orthop Trauma. 2016;30(1):10-16.

3. Síndrome Compartimental

É um aumento perigoso da pressão dentro de um "compartimento" fechado do músculo (geralmente na perna ou no antebraço), que pode acontecer após uma fratura, esmagamento ou outra lesão. Quando o tratamento é ineficaz, as consequências descritas incluem alteração permanente da sensibilidade, contraturas por falta de circulação, disfunção muscular, perda do membro e até a morte.

Não existe um sinal único e infalível

A diretriz da AAOS (2025) afirma que não há padrão-ouro objetivo para o diagnóstico: o médico deve reunir um conjunto de dados, como achados do exame físico, necessidade crescente de analgésico, dor desproporcional à lesão e medida da pressão. A evidência a favor de repetir o exame clínico para confirmar o diagnóstico em paciente acordado é de grau limitado, e a evidência a favor da medida da pressão dentro do compartimento é de grau moderado. Uma revisão da Lancet acrescenta que não há consenso sobre a melhor forma de diagnosticar: alguns cirurgiões monitoram a pressão de todos os pacientes de alto risco, e outros operam diante da simples suspeita. Para o paciente, o que importa é a conduta: dor muito maior do que a lesão parece justificar, ou que aumenta apesar da medicação, com o membro inchado e tenso, é motivo para ir à emergência sem demora.

Fontes: AAOS. Management of Acute Compartment Syndrome, Evidence-Based Clinical Practice Guideline, 2025 · von Keudell AG, et al. Lancet. 2015;386(10000):1299-1310.

Importante: não espere o quadro ficar completo. Dormência, palidez ou ausência de pulso, por bom senso clínico, não devem ser aguardados para procurar ajuda. A dor desproporcional é o sinal que deve levar à ação.

4. Suspeita de Infecção Óssea ou Articular (mais comum em crianças)

Uma infecção bacteriana dentro de uma articulação (artrite séptica) ou do osso (osteomielite) é uma emergência, especialmente em crianças. Uma revisão da JAAOS afirma que o manejo urgente é essencial: o diagnóstico precoce, seguido de limpeza cirúrgica da articulação e antibiótico, é necessário para bons resultados a longo prazo.

Um sinal simples que os pais reconhecem bem

Um estudo retrospectivo de um hospital infantil americano (Kocher, 1999) identificou 4 fatores que ajudam a diferenciar a artrite séptica do quadril de uma sinovite transitória (inflamação passageira) em crianças com quadril muito dolorido: história de febre, recusa de apoiar o peso na perna, velocidade de hemossedimentação (VHS) de pelo menos 40 mm/h e contagem de leucócitos acima de 12.000 por mm³. A probabilidade estimada de artrite séptica foi de menos de 0,2% com nenhum fator, 3% com um, 40% com dois, 93,1% com três e 99,6% com os quatro. Em um estudo posterior com 154 crianças (Kocher, 2004), os mesmos 4 fatores se confirmaram, mas a regra teve desempenho menor que no estudo original (área sob a curva de 0,86, contra 0,96).

Na prática, para os pais: uma criança que de repente para de andar ou se recusa a apoiar uma perna, principalmente com febre ou com uma articulação dolorida, precisa ir à emergência — os exames de sangue e a decisão de puncionar a articulação são feitos lá. Limites: a regra foi desenvolvida para o quadril, e não para outras articulações, e não substitui a avaliação médica.

Fontes: Kocher MS, et al. J Bone Joint Surg Am. 1999;81(12):1662-1670 · Kocher MS, et al. J Bone Joint Surg Am. 2004;86(8):1629-1635 · Erkilinc M, et al. J Am Acad Orthop Surg. 2021;29(5):196-206.

Resumo — quando ir direto à emergência

Em qualquer uma dessas situações, ligue SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro mais próximo. Para dúvidas fora de uma emergência, fale com a ou agende uma avaliação.

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Referências científicas

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Em dúvida sobre a gravidade de um sintoma, procure o pronto-socorro — é sempre mais seguro checar do que esperar.