Ilustração 3D anatômica da lesão de menisco: vista superior do platô tibial mostrando menisco medial (C) e lateral (O) com rasgo bucket-handle em vermelho, e vista frontal do joelho com fêmur, tíbia, fíbula, ligamentos cruzados e rasgo meniscal
Vista superior do platô tibial — rasgo bucket-handle (em alça de balde) no menisco medial (vermelho), um dos padrões de ruptura meniscal

O que são os meniscos

Os meniscos são dois discos de fibrocartilagem em forma de "C" — medial e lateral — localizados dentro da articulação do joelho. Eles participam da absorção de impacto e da distribuição de carga entre o fêmur e a tíbia, e também contribuem para a estabilidade, a propriocepção e a lubrificação e nutrição da cartilagem.

A lesão pode ser traumática (mecanismo específico — rotação do joelho com o pé fixo, comum no futebol e no esqui) ou degenerativa (alteração gradual com o envelhecimento, sem trauma definido — mais frequente a partir da meia-idade).

Evidência 1 — em adultos jovens, cirurgia precoce não foi superior ao exercício com opção de operar depois (ensaio DREAM)

O ensaio DREAM (Dinamarca) sorteou 121 adultos de 18 a 40 anos (idade média de 29,7 anos; 28% mulheres), com ruptura de menisco confirmada por ressonância e indicação de cirurgia, para cirurgia precoce (meniscectomia parcial ou reparo) ou 12 semanas de exercício supervisionado e educação, com a opção de operar depois se necessário. O programa de exercício era individualizado, com treino neuromuscular e de força.

Aos 12 meses, a melhora no escore KOOS4 foi de 19,2 pontos na cirurgia e 16,4 no exercício (diferença ajustada de 5,4; intervalo de confiança de 95% de −0,7 a 11,4): sem diferença estatisticamente significativa. Os dois grupos tiveram melhora clinicamente relevante de dor, função e qualidade de vida. No grupo do exercício, 26% acabaram operados; no grupo da cirurgia, 13% não chegaram a ser operados. Eventos adversos graves: 4 na cirurgia e 7 no exercício (P = 0,40).

Numa análise exploratória por tipo de início, o resultado foi parecido nas rupturas traumáticas (18,8 vs. 16,0 pontos; diferença de 4,8; IC 95% de −1,7 a 11,2) e nas não traumáticas (20,6 vs. 17,3; diferença de 7,0; IC 95% de −3,7 a 17,7).

Sintomas mecânicos (travamento, "click"). Em outra análise do mesmo ensaio, restrita a 63 pacientes com sintomas mecânicos no início, 35% (9 de 26) do grupo da cirurgia e 69% (20 de 29) do grupo do exercício ainda relatavam esses sintomas aos 12 meses. Ou seja, a cirurgia aliviou mais os sintomas mecânicos, mas não houve diferença em dor, função e qualidade de vida.

Limites: é um único ensaio, com poucos pacientes; comparar cirurgia com exercício não permite que o paciente desconheça o tratamento recebido; e as análises por tipo de ruptura e por sintomas mecânicos são secundárias ou exploratórias.

Fonte: Skou ST, et al. NEJM Evid. 2022;1(2):EVIDoa2100038 (doi:10.1056/EVIDoa2100038) · Damsted C, et al. J Orthop Sports Phys Ther. 2024;54(5):340-349 (doi:10.2519/jospt.2024.12245) · Damsted C, et al. Br J Sports Med. 2023;57(9):521-527 (doi:10.1136/bjsports-2022-106207) · Skou ST, et al. BMJ Open. 2017;7(8):e017436 (doi:10.1136/bmjopen-2017-017436).
Evidência 2 — ruptura degenerativa em adultos de meia-idade: cirurgia não superou placebo e deu pouco ou nenhum ganho sobre o exercício

Comparada a uma cirurgia simulada. No ensaio finlandês FIDELITY, 146 pacientes de 35 a 65 anos, com sintomas de ruptura degenerativa do menisco medial e sem artrose, foram sorteados para meniscectomia artroscópica parcial ou cirurgia simulada. Aos 12 meses, a melhora no escore Lysholm foi de 21,7 pontos na meniscectomia e 23,3 na cirurgia simulada (diferença de −1,6; IC 95% de −7,2 a 4,0), sem diferença significativa também no WOMET e na dor após exercício.

Comparada ao exercício. No ensaio norueguês de Kise e colaboradores, 140 adultos (idade média de 49,5 anos) foram sorteados para 12 semanas de exercício supervisionado ou meniscectomia. Aos 2 anos, a diferença no KOOS4 foi de 0,9 ponto (IC 95% de −4,3 a 6,1), sem relevância clínica. A força da coxa melhorou mais com o exercício nos primeiros 3 meses, e 19% do grupo do exercício acabaram operados, sem benefício adicional. No ensaio americano METEOR, com 351 pacientes de 45 anos ou mais, com ruptura de menisco e artrose leve a moderada, a melhora funcional em 6 meses foi de 20,9 pontos com cirurgia e 18,5 com fisioterapia (diferença de 2,4; IC 95% de −1,8 a 6,5), também sem diferença significativa, e 30% do grupo da fisioterapia foram operados nesse período.

Visão de conjunto. Uma revisão sistemática com metanálise de 10 ensaios concluiu que a meniscectomia parcial não é adequada para todo paciente com dor no joelho e ruptura de menisco e não deve ser tratamento de primeira linha. Nela, houve pequena melhora na dor, na função e na qualidade de vida em comparação com a fisioterapia aos 6-12 meses (certeza baixa), mas nenhuma melhora em comparação com a cirurgia simulada. Outra metanálise, em pacientes de meia-idade e mais velhos com joelho degenerativo, encontrou benefício pequeno da artroscopia aos 3 e 6 meses, ausente de 1 a 2 anos, e registrou riscos, como trombose venosa profunda sintomática (4,13 eventos por 1.000 procedimentos).

E a fisioterapia supervisionada? Num ensaio de 2025 com 879 participantes de 45 a 85 anos, com dor no joelho, artrose e ruptura de menisco, acrescentar fisioterapia supervisionada a um programa de exercícios em casa não reduziu mais a dor aos 3 meses (diferença de 2,5 pontos no KOOS dor; IC 98,3% de −1,3 a 6,2). Portanto, o que se pode afirmar é que a cirurgia não deve ser a primeira escolha; qual forma de exercício é a melhor ainda não está definido.

Limites: os ensaios têm amostras modestas, parte dos pacientes migrou de um grupo para o outro, e nenhum ensaio incluiu apenas pacientes em que o tratamento sem cirurgia havia falhado ou que tinham ruptura instável sem artrose.

Fonte: Sihvonen R, et al. N Engl J Med. 2013;369(26):2515-2524 (doi:10.1056/NEJMoa1305189) · Kise NJ, et al. BMJ. 2016;354:i3740 (doi:10.1136/bmj.i3740) · Katz JN, et al. N Engl J Med. 2013;368(18):1675-1684 (doi:10.1056/NEJMoa1301408) · Abram SGF, et al. Br J Sports Med. 2020;54(11):652-663 (doi:10.1136/bjsports-2018-100223) · Thorlund JB, et al. BMJ. 2015;350:h2747 (doi:10.1136/bmj.h2747) · Katz JN, et al. N Engl J Med. 2025;393(17):1694-1703 (doi:10.1056/NEJMoa2503385).

Tipos de ruptura

A classificação ajuda a orientar o tratamento. Esta descrição reflete a prática ortopédica geral; os ensaios acima não compararam cada tipo de ruptura separadamente.

Quando a cirurgia é considerada

Mesmo com os resultados acima, algumas situações levam à discussão da cirurgia. Elas vêm da prática clínica e dos achados parciais descritos acima, não de ensaios que as tenham testado de forma específica:

Reabilitação

Nos ensaios com adultos jovens (DREAM) e de meia-idade (Kise), o exercício durou 12 semanas de treino supervisionado. No DREAM, o programa era individualizado, com exercícios neuromusculares e de fortalecimento, associados à educação do paciente sobre a condição. Os detalhes (cargas, progressão, tolerância à dor e critérios para voltar ao esporte) são definidos pelo fisioterapeuta para cada caso; os ensaios aqui citados não permitem recomendar um protocolo único nem valores de corte específicos.

⚠️ Quando buscar avaliação com urgência

Procure avaliação ortopédica de urgência se:
  • Joelho travado em flexão — não consegue estender completamente; pode ser fragmento meniscal preso
  • Inchaço súbito e intenso após trauma no joelho (dentro de 2 horas — hemartrose)
  • Deformidade visível no joelho ou incapacidade de apoiar o peso
  • Dor intensa ao repouso que não cede com analgésicos comuns

Em caso de emergência, ligue SAMU 192. Fora de uma emergência, fale com a ou agende uma avaliação.

Diagnóstico de ruptura de menisco?

Em vários ensaios, o exercício supervisionado trouxe resultados semelhantes aos da cirurgia — uma avaliação ortopédica define se o seu caso pede cirurgia ou tratamento sem operação.

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Vídeo sobre o tema

O que são os meniscos

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Referências científicas

Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual.