O que é
A tendinopatia lateral do cotovelo — conhecida como "epicondilite lateral" ou "cotovelo de tenista" — é a degeneração (não inflamação aguda) do tendão do músculo extensor radial curto do carpo (ECRB) na sua inserção no epicôndilo lateral do úmero. Resulta em dor na face externa do cotovelo, que piora ao segurar objetos, torcer a torneira ou fazer um aperto de mão.
Quem é afetado
Num estudo populacional na Finlândia (pessoas de 30 a 64 anos), 1,3% tinham epicondilite lateral definida, sem diferença entre homens e mulheres e com pico entre 45 e 54 anos. Apesar do nome, o risco não se limita a tenistas: no estudo, ele se associou à combinação de movimentos repetitivos do braço com atividades de força e ao tabagismo. Digitação intensa, ferramentas manuais e tarefas domésticas repetitivas são exemplos de atividades de risco plausível, mas o estudo não separou cada uma delas.
Corticoide. Em 165 pacientes com sintomas há mais de 6 semanas, quem recebeu corticoide teve, em 1 ano, recuperação completa ou grande melhora em 83%, contra 96% com injeção de placebo, e recidiva em 54% contra 12%. A fisioterapia não mudou o resultado de 1 ano. Em outros ensaios (Smidt, Bisset), o corticoide foi melhor nas primeiras 6 semanas e pior que a fisioterapia depois, e a revisão sistemática de 41 ensaios sobre tendinopatias confirmou que o alívio do corticoide se reverte no médio e longo prazo.
Ácido hialurônico. A revisão em rede de 2013 apontou benefício a partir de um único estudo, com risco de viés. Não há base para recomendá-lo com segurança.
Limites: amostras pequenas, acompanhamento curto em vários estudos e protocolos diferentes entre eles.
Fontes: Coombes BK, et al. JAMA. 2013;309(5):461-469 · Smidt N, et al. Lancet. 2002;359(9307):657-662 · Bisset L, et al. BMJ. 2006;333(7575):939 · Coombes BK, et al. Lancet. 2010;376(9754):1751-1767 · Krogh TP, et al. Am J Sports Med. 2013;41(6):1435-1446.Uma metanálise de 30 ensaios (2.123 pessoas) encontrou que o exercício foi melhor que a injeção de corticoide na maior parte dos desfechos, exceto a dor logo no início (certeza baixa), e que contra "esperar para ver" houve diferenças em poucos desfechos (certeza muito baixa). Os autores classificam o efeito como pequeno e apontam grande variação nos programas testados. A revisão Cochrane de 2024 (23 ensaios incluídos) concluiu, com certeza baixa, que terapia manual e exercícios reduzem pouco a dor (cerca de 0,5 ponto de 10) e a incapacidade ao fim do tratamento, sem benefício mantido depois. Não há, portanto, um protocolo de exercício comprovadamente superior aos demais, e o programa deve ser individualizado e acompanhado por fisioterapeuta.
Fontes: Karanasios S, et al. Br J Sports Med. 2021;55(9):477-485 · Wallis JA, et al. Cochrane Database Syst Rev. 2024;(5):CD013042.Tratamento — o que a evidência permite dizer
- Esperar e orientar: a maioria melhora sem tratamento ativo (ver Prognóstico), então qualquer tratamento deve ser justificado frente a esperar.
- Exercício e fisioterapia: opção de baixo risco com efeito pequeno e evidência de certeza baixa; não há protocolo único comprovado.
- Modificação de atividade: reduzir temporariamente o que provoca dor intensa, sem parar por completo. É conduta de bom senso clínico, sem ensaio que a compare com não modificar.
- Cinta de epicôndilo: num ensaio pequeno (31 pacientes, com cinta de placebo) houve menos dor nas primeiras 2 a 12 semanas; uma metanálise de 17 estudos indica que a fisioterapia tende a ser melhor que a cinta no longo prazo, com intervalos de confiança amplos. Pode ser testada para uso nas atividades, sem esperar cura.
- Injeção de corticoide: alivia no curto prazo, mas o resultado em 1 ano foi pior que o de placebo; deve ser discutida com cautela.
- Cirurgia: a evidência de benefício é fraca. Uma revisão de 12 estudos de baixa qualidade não achou cirurgia superior ao tratamento não cirúrgico ou à cirurgia simulada, e o único ensaio com cirurgia simulada (26 pacientes) não achou diferença. Numa coorte populacional, 3,2% dos diagnosticados no período após 2009 foram operados em até 2 anos, e cerca de 1 em cada 10 dos que ainda tinham sintomas aos 6 meses precisou de cirurgia.
Prognóstico
Numa metanálise de 24 ensaios, entre 1.085 pessoas que ficaram sem tratamento ativo, cerca de 89% relataram melhora em 1 ano, e a dor e a incapacidade caíram pela metade a cada 3 a 4 meses. A chance de melhora não dependeu do tempo de sintomas antes de entrar no estudo, o que, segundo os autores, enfraquece o argumento de operar apenas porque os sintomas persistem. Na coorte populacional, a recidiva em 2 anos foi de 8,5%. Isso vale para o grupo; em cada pessoa a evolução varia, e uma parte tem sintomas prolongados.
Fontes: Ikonen J, et al. Clin Orthop Relat Res. 2022;480(4):647-660 · Sanders TL Jr, et al. Am J Sports Med. 2015;43(5):1066-1071.⚠️ Quando buscar avaliação médica
- Dor que irradia pelo antebraço com formigamento — considerar síndrome do túnel radial ou compressão nervosa
- Inchaço súbito após trauma direto — excluir fratura
- Travamento do cotovelo — possível corpo livre articular
- Dor que persiste ou piora apesar de meses de tratamento bem conduzido
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Dor no lado externo do cotovelo ao segurar objetos?
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Epicondilite (cotovelo de tenista)
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Referências científicas
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- Coombes BK, Bisset L, Brooks P, et al. "Effect of corticosteroid injection, physiotherapy, or both on clinical outcomes in patients with unilateral lateral epicondylalgia: a randomized controlled trial." JAMA. 2013;309(5):461-469. JAMA
- Smidt N, van der Windt DAWM, Assendelft WJJ, et al. "Corticosteroid injections, physiotherapy, or a wait-and-see policy for lateral epicondylitis: a randomised controlled trial." Lancet. 2002;359(9307):657-662. Lancet
- Bisset L, Beller E, Jull G, et al. "Mobilisation with movement and exercise, corticosteroid injection, or wait and see for tennis elbow: randomised trial." BMJ. 2006;333(7575):939. BMJ
- Coombes BK, Bisset L, Vicenzino B. "Efficacy and safety of corticosteroid injections and other injections for management of tendinopathy: a systematic review of randomised controlled trials." Lancet. 2010;376(9754):1751-1767. Lancet
- Krogh TP, Bartels EM, Ellingsen T, et al. "Comparative effectiveness of injection therapies in lateral epicondylitis: a systematic review and network meta-analysis of randomized controlled trials." Am J Sports Med. 2013;41(6):1435-1446. AJSM
- Karanasios S, Korakakis V, Whiteley R, et al. "Exercise interventions in lateral elbow tendinopathy have better outcomes than passive interventions, but the effects are small: a systematic review and meta-analysis of 2123 subjects in 30 trials." Br J Sports Med. 2021;55(9):477-485. BJSM
- Wallis JA, Bourne AM, Jessup RL, et al. "Manual therapy and exercise for lateral elbow pain." Cochrane Database Syst Rev. 2024;(5):CD013042. Cochrane
- Kroslak M, Pirapakaran K, Murrell GAC. "Counterforce bracing of lateral epicondylitis: a prospective, randomized, double-blinded, placebo-controlled clinical trial." J Shoulder Elbow Surg. 2019;28(2):288-295. JSES
- Shahabi S, Bagheri Lankarani K, Heydari ST, et al. "The effects of counterforce brace on pain in subjects with lateral elbow tendinopathy: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials." Prosthet Orthot Int. 2020;44(5):341-354. Prosthet Orthot Int
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- Kroslak M, Murrell GAC. "Surgical treatment of lateral epicondylitis: a prospective, randomized, double-blinded, placebo-controlled clinical trial." Am J Sports Med. 2018;46(5):1106-1113. AJSM
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Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individual.