Ilustração 3D anatômica da tendinopatia patelar (joelho de saltador): vista lateral do joelho mostrando patela, tendão patelar inflamado e espessado próximo ao polo inferior, tuberosidade tibial, músculo quadríceps, fêmur e tíbia
Vista lateral do joelho — espessamento e inflamação do tendão patelar no polo inferior da patela

O que é

Tendinopatia patelar é a degeneração dolorosa do tendão patelar — a estrutura que conecta a patela (rótula) à tuberosidade da tíbia. É chamada de "joelho do saltador" porque afeta principalmente atletas de esportes que envolvem saltos repetidos (vôlei, basquete, handebol) e corrida.

Diferente de uma ruptura traumática aguda, é uma tendinopatia por sobrecarga. O modelo mais usado para explicá-la descreve a patologia do tendão como um continuum, e não como simples "inflamação" ou "degeneração". Isso ajuda a entender por que pessoas diferentes chegam com graus muito diferentes de dor e de capacidade funcional, e por que algumas melhoram com medidas simples enquanto outras resistem a vários tratamentos.

Fonte: Cook JL, Purdam CR. Br J Sports Med. 2009;43(6):409–416.

Diagnóstico clínico

O diagnóstico é clínico, baseado em três critérios:

O diagnóstico é clínico, e a diretriz holandesa de 2025 considera limitado o valor adicional dos exames de imagem na tendinopatia patelar. Faz sentido: em um estudo com atletas de elite que não tinham sintomas, o ultrassom mostrou regiões hipoecoicas (alteradas) em 22% dos tendões patelares, contra 4% nos controles não atletas (320 tendões de atletas analisados). Ou seja, imagem alterada não é sinônimo de dor, e o que guia a conduta é a dor e a limitação funcional.

Fontes: Cook JL, et al. Clin J Sport Med. 1998;8(2):73–77 · Ophey M, et al. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2025;33(2):457–469.
Evidência 1 — cirurgia aberta não foi melhor que treino excêntrico

Em um ensaio randomizado (Bahr et al., 2006), 35 pacientes (40 joelhos) com tendinopatia patelar grau IIIB foram divididos entre tenotomia aberta (retirada cirúrgica do tecido alterado) e treino excêntrico em prancha com declínio de 25° (3 séries de 15 repetições, duas vezes ao dia, por 12 semanas). Em 12 meses, não houve diferença na pontuação VISA entre os grupos, e os dois melhoraram. No grupo do exercício, 5 dos 20 joelhos não responderam e foram operados entre o 3º e o 6º mês. Os autores concluíram que o treino excêntrico deve ser tentado por 12 semanas antes de se considerar a cirurgia aberta.

Limitações: amostra pequena, e o estudo testou apenas a tenotomia aberta, sem avaliar outras técnicas cirúrgicas. A diretriz holandesa de 2025 reserva a cirurgia aberta para casos muito específicos de quem não respondeu ao exercício.

Fontes: Bahr R, et al. J Bone Joint Surg Am. 2006;88(8):1689–1698 · Ophey M, et al. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2025;33(2):457–469.

Como é o tratamento por carga progressiva

A diretriz holandesa de 2025 recomenda começar pela terapia por exercício e só associar outros tratamentos conservadores se não houver mudança clinicamente relevante após 12 semanas. Um programa com resultado documentado em ensaio randomizado (Breda et al., 2021) tinha quatro estágios, sempre dentro de um limite de dor aceitável (até 3 em 10 na escala visual):

A passagem de um estágio para o seguinte dependia da dor em um teste de provocação (um agachamento com uma perna): dor de até 3 em 10 e pelo menos 1 semana no estágio. O retorno à competição foi recomendado quando todo o estágio 4 era feito dentro desse limite de dor. O protocolo deve ser individualizado por profissional habilitado.

Fonte: Breda SJ, et al. Br J Sports Med. 2021;55(9):501–509.
Evidência 2 — carga progressiva foi melhor que treino excêntrico na pontuação, mas o retorno ao esporte não diferiu

No ensaio randomizado de Breda et al. (2021), 76 pacientes com tendinopatia patelar confirmada por ultrassom receberam o programa de carga progressiva acima ou treino excêntrico. Após 24 semanas, a melhora no VISA-P foi maior com a carga progressiva (28 vs 18 pontos; diferença ajustada de 9 pontos, IC 95% 1 a 16; p = 0,023). Já o retorno ao esporte (43% vs 27%; p = 0,13), a satisfação (81% vs 83%; p = 0,54) e a adesão aos exercícios (40% vs 49%; p = 0,33) não diferiram de forma significativa.

Em outro ensaio (Kongsgaard et al., 2009; 39 homens), o treino de resistência lenta com carga alta (heavy slow resistance, HSR), o treino excêntrico e a injeção de corticoide melhoraram a dor e a função em 12 semanas. Aos 6 meses, a melhora se manteve no HSR e no excêntrico, e o grupo do HSR foi o mais satisfeito.

Limitações: a maioria dos pacientes do ensaio de Breda (82%) já tinha falhado em um tratamento anterior, a adesão ficou abaixo de 50% nos dois grupos e o estudo de Kongsgaard foi pequeno.

Fontes: Breda SJ, et al. Br J Sports Med. 2021;55(9):501–509 · Kongsgaard M, et al. Scand J Med Sci Sports. 2009;19(6):790–802.

Infiltração de corticoide

A infiltração é pedida com frequência, mas o ensaio disponível não mostra benefício duradouro:

A diretriz holandesa de 2025 indica tratamentos conservadores adicionais apenas quando o exercício não traz mudança clinicamente relevante em 12 semanas.

Fontes: Kongsgaard M, et al. Scand J Med Sci Sports. 2009;19(6):790–802 · Ophey M, et al. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2025;33(2):457–469.
⚠️ Quando buscar avaliação ortopédica urgente:
  • Ruptura aguda do tendão patelar (incapacidade de estender o joelho ativamente)
  • Dor intensa após trauma direto no joelho
  • Derrame articular (joelho inchado) associado à dor no tendão
  • Ausência de melhora após 12 semanas de programa de exercício supervisionado

Resumo

Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica ou fisioterapêutica. O protocolo de carga deve ser individualizado por profissional habilitado.

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Vídeo sobre o tema

Tendinite no joelho

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Referências